“Não queiras saber de mim
Esta noite não estou cá
Quando a tristeza bate
Pior do que eu não há
Fico fora de combate
Como se chegasse ao fim
Fico abaixo do tapete
Afundado no serrim

Não queiras saber de mim
Porque eu estou que não me entendo
Dança tu que eu fico assim
Hoje não me recomendo

Mas tu pões esse vestido
E voas até ao topo
E fumas do meu cigarro
E bebes do meu copo
Mas nem isso faz sentido
Só agrava o meu estado
Quanto mais brilha a tua luz
Mais eu fico apagado

Dança tu que eu fico assim
Porque eu estou que não me entendo
Não queiras saber de mim
Hoje não me recomendo

Amanhã eu sei já passa
Mas agora estou assim
Hoje perdi toda a graça
Não queiras saber de mim”

Não queiras saber de mim

Rui Veloso


A história de um herói que não é como nós

O nosso mundo é feito dos que estão e dos que partiram. Somos o que tocamos com as mãos, mas também a memória dos que morreram e até a recordação dos que existindo deixaram de nos bater à porta. Por vezes, escutamos conselhos de amigos; noutras procuramos as imagens dos que se foram e imaginamos o que nos diriam. É aí que falho. Se fechar os olhos consigo vê-los a todos, mas se os tentar escutar nem sempre os distingo – no jardim dos meus mortos há vozes de que não me lembro. Pergunto-lhe como é no seu jardim – responde-me que lá o céu é claro e estrelado. Asteróides, estrelas, planetas e suas famílias andam de um lado para o outro sem chocarem uns com os outros nem precisarem de quem tome conta do trânsito. Sim, talvez Deus se irrite com quem, como ele, mantém o coração alerta e em ilusão permanente. Ou, pelo contrário, e apesar de este seu filho nele não acreditar, talvez sinta um tão grande orgulho que, um dia, lhe abrirá as portas e o manterá perto de si.

Edmundo Pedro é um herói da história da democracia. Uma estrela nas noites claras. Quando se for baptizarei uma estrela com o seu nome – para nunca esquecer que há grandes homens que fortaleceram a sua fé com a soma das provações. E que não se importou de ser pequeno, de parecer pequeno. Talvez o mundo precise de batalhões de homens que não se importem de o ser – única porta para, no fim dos fins, poderem ser verdadeiramente grandes.


Luís Osório

http://sol.sapo.pt/inicio/Opiniao/interior.aspx?content_id=45066&opiniao=Opini%E3o



“Bom mesmo é ter problemas na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!”

“Nasci para satisfazer a grande necessidade que eu tinha de mim mesmo!”

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